igualdade de gênero e gratidão

por Caê Jansen

Me desculpe você que é mulher e acredita na bobagem da igualdade de gênero, mas eu acho isso um tremendo absurdo e vou usar minhas experiências pessoais para provar o meu ponto de vista. Cresci em uma família em que meus pais, quando eu tinha pouco mais de um ano, se separaram. Minha mãe logo já estava com outro homem, logo já estava gravida novamente e também logo já sofria as primeiras de muitas agressões que ainda estavam por vir. Eu conto um braço e um dente quebrados, fora as inúmeras surras que ela levou, humilhações que sofreu, e eu sofria junto, não apenas por ver minha mãe sendo repetidamente agredida, mas por ouvir de seu algoz que se não fosse por minha existência nada disso seria necessário, se eu não tivesse nascido minha mãe não apanharia.

Ao mesmo tempo que vi tudo isso acontecer, por 10 intermináveis anos, encontrava ao lado de minhas avós o melhor refúgio, mulheres que dedicavam tempo, amor e carinho para tentar curar minhas feridas e cicatrizes. Foi por causa delas que eu sobrevivi, foi por causa da dedicação das duas que eu consegui me levantar e consegui seguir em frente. Aprendi o valor do amor, aprendi o meu valor vendo o valor que elas sempre deram a mim. Cada uma me deu o que estava ao seu alcance, de minha vó Luzia ganhei um lar, comida, zelo, carinho, preocupação, broncas e paz. Da minha vó Momo, ganhei lições de vida, conversas que me moldaram e me transformaram em quem sou hoje. Ela bancou tratamento para me ver livre de fantasmas do passado. Cresci conversando com ela, a ouvia contar histórias da Segunda Guerra Mundial e de como os soldados alemães invadiram a casa dela em busca de seu pai (um dos líderes da resistência Belga), me falou sobre Krishnamurti (que só hoje em dia começo a entender a real importância de seu discurso), de como devemos questionar o mundo em que vivemos, de como devemos buscar nos perdoar por erros que não foram cometidos por nós, mas que ainda assim suas culpas caíram sobre nossos ombros.

Minha mãe que durante muito tempo vi como uma mulher fraca e covarde (que falta de inteligência de minha parte), se mostrou uma verdadeira leoa, conseguiu se livrar de seu opressor, conseguiu criar e sustentar eu e mais duas filhas e um filho, com nada mais do que seu suor e luta. Descobri em minha mãe uma guerreira determinada e que nunca desistiu, apesar de todos os murros que a vida insistiu em lhe dar, vi uma pessoa que um dia já achei fraca se tornar a mais forte mulher que eu já conheci. Se tornou a maior heroína que eu tenho, meu maior símbolo de força e resistência extrema.

E quando olho para fora da minha família e vejo o quanto minhas amigas, que por sinal são muito mais inteligentes em sua maioria que os meus amigos, são pessoas mais humanas, guerreiras, leais, mulheres que batalham por sua liberdade e independência, que buscam sempre evoluir. Nelas encontro inspiração, mulheres que vencem diariamente seus medos, fraquezas, suas falhas, e que se quiserem se entregam completamente aos seus desejos pelo simples motivo de: elas querem, elas podem e elas fazem.

Por isso eu digo sem medo de errar, vocês mulheres não são iguais a nós homens, vocês são muito superiores, suas lutas e vitórias diárias me fazem acreditar que se o mundo um dia for um lugar melhor ele com certeza será liderado por vocês, e essa liderança eu humildemente seguirei.

Obrigado a vocês, mulheres de minha vida, por me tornar quem eu sou. Mãe, vó, Momo, minhas irmãs, amigas, esposa, tias, primas, sem vocês eu não estaria aqui hoje e sem vocês eu nada seria. Minha eterna gratidão e admiração é de todas vocês.

Vocês mostram que são superiores a nós, pois apesar de assim o ser só buscam a igualdade.
E para deixar explícito aqui, nesse texto trato sobre todas as mulheres, inclusive aquelas que se tornaram mulheres apesar de não ter nascido em um corpo de mulher, vocês transsexuais são a prova de que a evolução humana existe.

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