romantizando dores

por Ana de Oliveira

Você está romantizada em mim. Falando em voz alta, não parece ruim. A sua escolha, sua fuga, bate em mim como consequência da vida. A vida quis assim. O problema é porque a vida sempre parece querer o pior pra mim. E eu nunca entendi isso.

Para mim, você nunca me deu as costas. Não fez isso. Caiu um raio na sua cabeça, e de repente você não podia mais lutar por nós. Só por isso. Não foi porque você desistiu de continuar firme. Foi porque você não aguentou. Foi porque você foi vítima. Não perdeu o que sentia por mim, perdeu um braço.

O problema sempre parece estar em mim, que nunca compreendo bem as pessoas. Que nunca vê o quanto elas sofrem e que não entende que é preciso sofrer — sempre — para ver um resultado bom lá na frente. A culpa é sempre minha, que nunca lhe dá — mais uma — chance pra nada. Que nunca acredita — tolamente — em você. A culpa sempre cai em mim, que, mesmo não conseguindo pensar em mim mesma, consigo ser egoísta.

E é assim que eu volto pra você pedindo desculpas. Como se, mesmo carregando um peso imaginário, tivesse feito tudo de errado. Como se só a minha respiração incomodasse. Eu não devo, de jeito nenhum, discordar da situação que você insiste em nos colocar. Preciso aceitar, porque tenho que compreender você. Preciso ser o exemplo de namorada para você. Só acho coincidência você não precisar ser o mesmo pra mim. É estranho não receber nada de você. Mas, essa parte devo ignorar. Até a dor, tão romântica, me fazer sangrar.

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