vento

por Victor Rossi

Me arrumo para o trabalho, pego a moto com destino ao hospital. Tudo lá é normal, sem explicações míticas para o que acontece. Se alguém morre, se alguém vive, é só o nosso trabalho, é só sangue, doenças e esperança.

Minha função é consertar os equipamentos médicos da UTI: monitor multiparâmetros, ventilador pulmonar, bombas de infusão, tudo que faz alguém viver. Sinto-me bem por fazer parte do diagnóstico favorável de alguém que estava morrendo.

Tudo no meu dia é agitado, pessoas pedindo coisas, chefe cobrando, equipamentos quebrando. Eu gosto da rotina doida, sinto-me útil, mas sinceramente, a melhor parte do meu dia é pegar a moto e ir em direção à Marginal Pinheiros.

Às 11 horas da noite tudo nela é calmo, os carros ficam distantes, o assovio do vento entrando pelo capacete e batendo no rosto, a pista é só minha e tudo que sinto é paz. O silêncio me abraça e me fundo a minha moto, isso é mais que o suficiente para me fazer esquecer tudo que me fez mal durante todo o plantão.

Alguma coisa acontece a 120 km/h e eu não sei explicar, não sei dizer e mostrar, só sei sentir, só sei existir.

_____

Victor Rossi reside na Zona Norte de São Paulo. É piloto e amante do motociclismo. Viaja sempre que pode, sem motivo ou destino. Escreve quando tem um tempo livre e troca qualquer coisa por uma boa noite de pizza com os amigos. Ao som de Dio, Black Sabbath, Anathema e outras bandas clássicas de Hard Rock, tenta encontrar seu lugar no mundo e ajudar pessoas o máximo que puder.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *