anarcojazz

por Caê Jansen

Olá, meu amor,
estou ouvindo Louis
em uma antiga vitrola
que me transporta a ti.
Sinto minha alma flutuar
enquanto danço pela sala
sozinho e cheio de amor.

Ó meu amor
como é bom poder
lançar meu olhar
sob seu inconfundível
sorriso,
e saber que
mesmo a distância
meu amor se mantém
ao ritmo do standard jazz.

Meu mundo ficou mais belo
depois que nas nuvens
dançamos embriagados
e nossas energias fundiram-se,
todas as cores se confundiram
e a melodia que produzimos
era um fusion jazz chique
tão marcante como o do Chick.
A alegria sai pela janela
voando em todas as direções
como um bebop martelando
atingindo a todos na cidade
que finalmente desperta.

E de repente,
que barbaridade,
o mundo se põe a dançar
as fábricas param
para que os operários
comecem a produzir apenas
lindos passos de dança folclórica.
As escolas ensinam apenas
a alegria de viver,
lojas, padarias e mercados
só vendem em troca
de gentilezas
e risadas sinceras.
Bancos só acumulam amor
e assim caem os muros,
fronteiras já não existem mais
e Dizzy sorri feliz e satisfeito.

Frases livres ao vento
são tudo o que ouvimos
e assim bagunçam cabeças
e aceleram os corações
que se recordam:
somos todos, irmãos e irmãs
e devemos ser livres
como um free jazz estupendo.

Pode parecer tudo uma brisa
mas quem sabe não é a brisa
a realidade que nos condicionaram
a renegar por medo
de que todos possamos voar juntos
embalados pelo acid jazz.

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