[…]

por Luska Brion

Ainda me lembro do som dos sapatos de sola de borracha sobre o piso de cimento queimado e verniz.
Do eco no salão bem iluminado e das colunas brancas.
Parou de repente, bem à nossa frente.
Mirou-me os olhos que antes vagos, azuis olhos, agora incomodamente liam minh’alma.
Um frio em minha espinha ao ver o revelar dos dentes amarelos num riso frouxo que o fizeram confessar que dali então sabia aonde iria e conhecia o começo do fim.
Porém jamais me contaria.
Em veste alva de baixo a cima pôs-se a andar.
Nunca mais o vi.
Ainda me lembro do som dos sapatos.

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