reencontro

por Marcia Dantas

Esfreguei minhas mãos uma na outra, concentrando-me no calor emitido pela fricção. Meus dedos estavam gelados, combinando com o frio que corria pela minha espinha e congelava meu estômago. Não sabia bem o motivo, mas tinha medo.

Andava de um lado para o outro e sentia que, a qualquer momento, poderia fazer um buraco no chão. Vários pensamentos cruzavam a minha mente e eu temia que, quando estivéssemos cara a cara mais uma vez, acabássemos percebendo que tudo entre nós estava diferente.

Fazia três anos que ela tinha partido.

Nunca deixamos de nos falar em todo tempo, muito menos em assegurar que o que havia entre nós não mudaria um milímetro sequer. Mas como saber? Ela certamente voltava diferente de como tinha partido. Eu também não era mais a mesma.

Olhei o relógio mais uma vez. Estava na hora.

Respirei fundo e segui as pessoas que iam para a área de desembarque. Aos poucos o medo foi substituído pela ansiedade. Procurei no meio da multidão de pessoas que saíam com suas malas por aquele rosto que me era tão familiar. Mordi os lábios com a frustração de não achá-la.

De repente achei o sorriso dela, e então todos desapareceram para mim.

Quando me dei conta, já estávamos abraçadas. Quando percebi, meus olhos já estavam molhados. Antes que eu pudesse me achar em meio à emoção, nossos lábios se uniram, e aquela familiaridade aqueceu meu coração. Ela estava de volta, finalmente, e eu já não me importava com o que aconteceria. Só queria saber que ela estava ao meu lado novamente.

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