[…]

por Elle

Aurora
“Ela só vai”
Pensa e
Se joga no mundo
Com um medo absurdo
“Ela teme”
Pensa e
Primeiramente fora Temer
Segundamente primeiramente
Me deixo guiar consciente
Um tanto exigente
Não basta persuasão
Não basta a razão
Esqueço voluntária
Da vontade involuntária
De ter por perto você
E meto
Pés pelas mãos
Mãos por pés
Ideias na cabeça
Mirabolantes e viajantes
Pode até parecer inconsequente
Mas vale o risco
A noite se transforma em dia
O dia se transforma em noite
Com o sol vem a notícia
Eu não morri
Sobrevivi, vivi
VIVA!
Eu gosto dessa parada
De ser descompromissada
Com um monte de compromissos
Na maioria inesperados
De ser atiçada
E viver virada
Mas meu sono não ser omisso
Do olhar safado
E ver o sol nascer
Acabando o dia
O amanhecer
A aurora do meu dia noite
Dormir com sol batendo na janela
A claridade por cada fresta
Gosto do nariz na nuca
Da barba que roça
Arrepia
Do calor nas coxas
De arrancar a roupa
Daquela voz rouca
Que faz ecoar meu nome
O que não gosto é do tempo
Que sempre parece curto demais
E acabamos amando como animais
Esse pequeno revés
Que me deixa com os cabelos de pé
Minha ansiedade que consome
Que nunca passa essa fome
E parece que nunca dorme
Doze
Vinte e quatro
Trinta e duas
Quarenta e oito
Horas
Que nunca parecem suficiente
Passam como um vento
Mas me contento
Como um vira-lata
Quando ganha as sobras
E lança o olhar de criatura grata
Não que eu goste das sobras
Nem do que resta
Gosto do que presta
E como gosto…

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A vida chegou sem massagem.
Tudo que Elle quer é embarcar em mais uma viagem.
Da cabeça desgraçada tenta tirar seu rumo.
Tem larica de arte.
Elle escreve quinzenalmente às quartas.