[…]

por Gabriel Fogal

Você me deu
Seus olhos
Todas aquelas histórias
E algumas mentiras
Ninguém estava lá
Enquanto eu
Me afogava no mar

Com o outono
Vem a primeira culpa
Da infância retalhada
Do adulto culpado
Na flama o poeta
Se força a esquecer
O tempo entre os tempos

Procuramos nos divertir
Na terra prometida
E quando as promessas
Acabaram
Sobrou apenas
Os infinitos entre os abismos
De sentir

sobre o tempo

por Gabriel Fogal

Já perdemos o tempo de vista
O sol nasceu e
Não deixamos essa cidade
Tive medo de olha para trás
Uma última vez
Mas incrível como
Meus pés estão leves e
Descalços de qualquer preocupação
Não saberemos se as decisões
Foram escolhidas porventura
Mas lembro bem
meu irmão disse uma vez
Basta estar em casa
Para se sentir amado
Talvez seja culpa do acaso
E seremos aventureiros
Pelo resto dos anos
Não quero saber
Não importa
O tempo foi lento
Mas
já perdemos ele de vista
E não deixamos essa cidade

[…]

por Gabriel Fogal

Meu amigo
Eu estou me desmanchando
E essa nova loucura
Não me faz mal
Quando estou cansado
Quero cair nos braços dela
Mesmo quando ela me implora
Para não cair de sono
Eu realmente não sei
Se aquele último copo batizado
Fez alguma diferença

Meu amigo
Você me conhece melhor do que ninguém
Não temos mais o costume
De cair por nada
Você me ensinou
Algumas boas lições
Faz algum tempo, eu lembro
Achamos que não ia mais acontecer
Nada de novo
São as mesmas manchetes
Nesses últimos tempos
Mas, essa loucura nova
Não me faz mal

uma certa noite

por Gabriel Fogal

A mais bela penumbra
De uma noite serena
O trio
Improvisando um jazz
E assim qualquer
Olhar trocado com ela
Fica encantador
Um flerte
Uma música
O vento
Seus cabelos
O cenário menos provável
De histórias não cruzadas
Com a melhor
Trilha sonora
Para um final de expediente
Inesperado
E um final de noite
Menos esperado ainda

dias remotos

por Gabriel Fogal

Tinha o costume de
Dirigir rápido porque
Queria chegar em
Algum lugar
Gostava de deitar na grama
Para olhar, apreciar o
Alto da cidade com
Uma infinidade de céu
E tão poucas estrelas
Contava histórias
E as vivia também
Já perdeu o gosto
De tragar a fumaça
Que corrompe o corpo
E o coração
Do que adiantou
Se preocupar com
Como seria  envelhecer
E perder tantas
Histórias
Sem
Fim?

o amanhã que nunca chega

por Gabriel Fogal

Às vezes me pego
Cantado no banho
apaixonado pelas melodias
Mais psicodélicas que nunca escutarei
Nas noites mais frias
Você sussurra orações
Pedindo para que eu continue
Sólido
Estamos procurando um lugar
Para repousar nossos sonhos
Mas achamos que nunca o encontraremos
Desesperados pelo futuro
Que não espera por ninguém
Esperamos a nós mesmos
Para chegar lá

aquele velho tronco

por Gabriel Fogal

No caminho de volta para casa
na esquina cotidiana
uma árvore sorridente
fantasia partir
para contar mentiras
pelo mundo
com todos que
passam por ali
ela é doce e
gentil como a música
que faz em conjunto do vento
o sol de novembro
vem para agradar
sua solidão
aquece e esquece
que um dia ela foi
importante para todos
que voltam para casa
por ali