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por Izabela Souza

Os adultos não são grandes.

Não grandes pessoas.

Eles apenas cresceram mais do que a gente e, com isso, acreditaram ter vivido mais e terem mais poder.

Mas quem passa os anos em si mesmo viveu mais que quem?

Quem passa os anos mandando em gente tem poder sobre o quê?

Eles comemoram aniversários em bares, bebendo todas e celebrando festas que só existem para o ego: a festa deles. E só entre eles. Não qualquer adulto, um grupo seleto.

Perdidos neles mesmos, entre canções de autodestruição e remédios desnecessários, eles decidem sobre a vida de todos, ainda que não consigam resolver a deles. Ainda que tenham destruído o mundo.

Eles mandam tanto um nos outros que esquecem que eles não podem mandar em tudo: nem na natureza, nem nas crianças, nem no tempo. Por isso que todos estes atuam pelas forças de si próprios. Eles não precisam mandar no outro ou dominar o ego: eles precisam um dos outros, da cooperação, do afeto.

Os adultos cresceram mais. São mais altos. Mas de coração, mente e alma, todos os outros entendem bem mais que esses otários.

[…]

por Izabela Souza

Será que somos vítimas das nossas mentes?
Pensamentos que temos, criamos e alimentamos.
Todos os dias. A nossa mente.
Inspirando sentimentos, alucinações, variações de uma ou a possível realidade.

Você já se perguntou se está ficando louca?
Você já se pegou pensando algo socialmente inaceitável?
Como um depressivo pensando em suicídio
Mesmo que nunca nos joguemos do prédio, na linha de trem, na Fernão Dias.

E se somos a nossa mente, isso não nos faz opressor e oprimido?
Qual é a nossa relação com a nossa mente?
Não tenho respostas, mal tenho questões.
Por dentro é tudo silencioso, como a sociedade não aceita.

[…]

por Izabela Souza

Não foram as mãos que ofereceram ajuda. Nem os olhos que demonstravam afeto.

Certamente não foi a boca que entoou cânticos célebres sobre um mundo melhor.

Foi apenas o coração. Generoso, altruísta, coração. Dentro de um corpo humano apenas para que ele seja o motivo de êxtase de outro corpo humano.

Foi o coração que insistiu em bater para ajudar os que estão querendo desistir da luta.

[…]

por Izabela Souza

Love is in the air e é dia dos namorados. Muita gente reclama de estar sozinha, outros mesmo namorando estão sozinhos. A solidão não é por estar com alguém ou não, parte de você.

É comum em qualquer tipo de relacionamento projetarmos uma imagem idealizada do outro baseada em comportamentos que admiramos ou cremos serem benéficos. Isso não é gostar — e olhe, pode se tornar abusivo.

Um relacionamento abusivo nem sempre é um bater no outro. Há outros tipos de ferimentos. É você querer ditar o que a pessoa pode ou não fazer, muitas vezes com o pretexto de que você não gostará mais ou tanto dela. É você achar e tratar a pessoa como posse. Zombar dos sentimentos dela. Falar das roupas que, para você, podem não ser apropriadas, mas para ela sim. É ter ciúme de todos os amigos e ficar vigiando conversas. Se você faz isso, olhe para si e pense nos motivos do seu comportamento. Se você passa por isso, bem, você não precisa.

É fato que devemos sempre dar amor, a questão é que nem todos estão dispostos a receber. E bem, quando a pessoa não está disposta a receber não há o que ser feito. Não é sua missão insistir em algo que não é saudável, mas sim procurar relacionamentos que são. Você merece o melhor tratamento. Compreensão. Carinho. Respeito. Ser aceito como é e pelo que faz. E se alguém não te trata da melhor forma possível, não zela, não cuida e principalmente, aprisiona, saia. Vá ter o melhor dia dos namorados da sua vida, mesmo que seja consigo mesmo. Qualquer tratamento sem respeito não é gostar, é apego. Gostar é quando você aceita o pacote completo do outro nos melhores e piores momentos, quando você não faz uma sucessão de erros e acha que um simples “desculpa” muda tudo — e não a alteração das suas práticas. Gostar é respirar fundo e tratar bem mesmo quando você acha que o outro está equivocado. É tentar fazer rir quando você sabe que a pessoa está chateada. É ouvir quando ela quer desabafar e também é nunca julgar. Nunca fazer com que a pessoa se sinta intimidada com você, mas sim acolhida. É ser a melhor pessoa. Conquistar a cada dia.

Se no seu relacionamento atual você mais chora do que sorri, e isso serve para todos os tipos de relacionamento, talvez seja a hora de se curtir mais. Sabe qual relacionamento vai te preencher? Vai te fazer transbordar? O consigo mesmo. Porque cada pessoa é maravilhosa. Não aceite menos que um tratamento que te lembre sempre disso. Não aceite nada que te diminua.

Sozinho ou acompanhado, no dia dos namorados e em todos os outros, seja seu date. Seja a pessoa que vai te tratar da melhor forma possível. E que só fique quem estiver disposto a fazer o mesmo.

[…]

por Izabela Souza

Andando por Recife, observo. O prédio empresarial chama Casa Grande. O motel? Senzala. E assim, diariamente, reforçam a ideia de que brancos ficam com o glamour dos empreendimentos e a vida digna e sofisticada. O negro e a negra? Objetos sexuais. Trabalhadores da massa.

Vocês podem achar que, designando esses locais, lá permaneceremos. Mas não. A senzala não será o motel. Será a universidade, o tribunal, o seu prédio empresarial. Se a senzala é o lugar do negro, então que cada lugar do mundo seja uma. Se lá tiverem mordaças, que elas não estejam sendo usadas. Que tudo o que de ruim que nos fizeram seja um lembrete para que, cada vez mais, venhamos com força.

A senzala vive nestas palavras, não no gozo do sinhôzinho.

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por Izabela Souza

Um dia eu a notifiquei que estava partindo. “Pois é, mãe, quero empreender, quero estudar lá.”. Eu não pedi. Como já não fazia há tempos, mesmo sem perceber. Ela percebeu antes de mim que o laço era agora de um outro material. Mas qual?

É difícil sair dos braços e cuidados da mãe. Principalmente nos dias em que lembramos do abraço, do cheiro das comidas favoritas, das conversas enquanto assistíamos filmes de artes marciais. Mais difícil ainda é se ver responsável por cuidar de toda a sua vida e ainda achar tempo para manter aqueles que amamos e estão distantes nela. Neste imediatismo cotidiano, esquecemos que aquele “bom dia” não é carência, mas um lembrete: “eu te amo”, “você é importante para mim”.

Mesmo assim, como ela diria, mãe é besta. Mãe é quem manda esse bom dia aí — e quem se preocupa com as vitaminas da sua dieta. Mãe é quem pergunta se você vai embarcar sem agasalho e quem apoia o embarque porque sabe que é o que você quer, a sua felicidade. Mãe é sinônimo de amor incondicional, e não romantizando, de renúncia, de recusas, de abrir mão. Mãe pode ser quem te gerou ou quem te cuidou. Mãe é aquela que a gente ouve um rap do Criolo e canta junto agradecendo por ela existir.

Minha mãe é a pessoa mais importante da minha vida. Eu sei que somos diferentes, eu sei que eu não sigo o caminho que ela queria que eu seguisse, de acordo com o viés dela de cuidado. Mas ela nunca me impediu de ser quem eu sou e também nunca me negou seguir o que acredito ser o certo. E é por esse amor e todos os exemplos diários que ela me dá que eu tenho orgulho em dizer que ela é a minha mãe. A ela, um amor além do infinito.

 

insônia

por Izabela Souza

Foi difícil assumir e ainda o é. Aconteceu.
Eu não programei. Eu nem queria, na verdade.
Um dia eu apenas percebi que era isso, era a minha vida agora numa bifurcação entre esperar ou partir.
Partindo, eu permaneceria intacta. Talvez eu sentisse a falta dele — bem mais do que ele sentiria a minha, presumo — por alguns dias. E depois teria notícias da rotina, do andamento acadêmico, dos relacionamentos e da vida profissional. Garantida de que nada sentiria pela distância das redes sociais, das três horas de voo ou pela distância de alguns passos nos encontrões da vida.
Esperando, recordaria o passado. Parece inevitável reviver traumas, mesmo sabendo que as pessoas do nosso presente não têm culpa do que nos aconteceu. Esperando, eu teria que praticar aquela historinha do não esperar reciprocidade. Difícil. Até porque, quando não se espera e algo não dá certo, não se reclama. Seria eu tão altruísta assim? Valeria a pena?
Aconteceu. E nada posso exigir de quem sinto afeto. Programo me resolver em alguns dias. Talvez algum sinal divino? Talvez alguma intervenção? Acho que é o que todos queremos.