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por Luska Brion

Confie no Universo.
Entrega ao qual te deu sua luz e acredite em seus planos, mesmo que não lhe façam sentido algum.
Atente-se aos sinais, que cheios de mistérios são, e como são, mas estão bem ali diante de seus olhos.
Seja receptivo às mudanças, que por trágicas que possam ser sempre mostram um lado novo, e sempre lhe proporcionarão infindos ensinamentos.
Aprenda que o que é seu jamais lhe será negado ou tirado, a menos que desista.
Não se apegue ao rancor. NUNCA!
Entenda que seus malfeitores vem para lhe ensinar à alma e testar seu amor.
Ame também a eles, e lembre-se que o sofrimento do causador será sempre maior que o seu, pois este sofrerá 2x.
Perdoe.
Não alimente seu ódio. O ódio cega o coração, que não enxergará o amor que é de seu merecimento.
Entregue-se à caridade. O altruísmo é a cura de todos os males, pode acreditar.
Ame também antes de tudo a si mesmo. Quem não conhece o amor próprio jamais reconhecerá o amor de outrem, seja qual a forma.
Entregue ao qual te deu sua luz.
Acredite no Universo. Poderoso e infinito.
Confia e verás.

minhas sinceras desculpas

por Luska Brion

Sentado à mesa na calçada, algumas garrafas e copos.

Uma mocinha aponta na outra esquina. Estava vestida de maneira nem um pouco provocativa com roupas básicas do dia-a-dia. Tênis, jeans e uma blusinha.

Ali mal havia um decote, mas os seios fartos pareceram se destacar quando a mocinha atravessou a rua e, como foi com todas as anteriores e todas as de todos os dias, o senhores a volta interromperam o assunto a fim de observar e proferir os mais charmosos comentários.

Me chamou a atenção a forma como a mocinha de andar firme e olhar fixo mirando a frente, num gesto que me pareceu automático e corriqueiro, escondeu com uma das mãos o mínimo decote, como se o devesse.

Nesse momento um misto de emoções me invadiu o peito, pensei na minha pequena.

Quis chorar, quis gritar, quis bater, quis matar a todos eles, um por um. Mas me limitei em minha genérica responsabilidade a olhá-la na face e cheio de vergonha lhe pedir minhas mais sinceras desculpas.

Junto da minha vergonha fica também a esperança de dias e pessoas melhores. De que um dia seremos bons.

E a cada uma das mocinhas, senhoras, mulheres e mães, que enfrentam esta merda todos os dias, peço assim como à mocinha que passou, minhas mais sinceras desculpas.

da cadeira de balanço

por Luska Brion

Da cadeira de balanço eu vejo o céu.
Não está mais como antes,
não tem o mesmo brilho.
De quando infante havia o véu.
De quando era só um filho.
Não parece mais pista de pipa,
nem de disco voador.
Devem ter gosto de fel
as nuvens com cara de horror.
Se ao menos o sabor eu sentisse
das gotas de chuva e dor,
e de repente o Sol saísse
de trás das nuvens sem cor,
seria um dia bonito,
um dia com mais amor.
Da cadeira de balanço eu vejo o céu.

ela é só uma menina

por Bella Tocchio

Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros que eu nem sei se cometi.
Ela chega e se apresenta pra mim sorrindo com seus grossos lábios vermelhos e na mesma hora me aprisiona em seus olhos. Olhos do breu da noite.
Ela é só uma menina, assim como eu.
E, em menos de um minuto me leva cativa de seus olhos.
Menina “maluquinha” e perigosa que chega sorrindo, que chega cantando as canções que eu adoro e me chama pra cantar.
Nosso dueto é perfeito, acordes dissonantes em perfeita harmonia,
Notas que sobem em uníssono enchendo o ar de canto e riso.
Somos perfeitas juntas.
Derramo sobre ela meu olhar apaixonado, meus olhos cativos, meu ser submisso.
E ela sorri.
Ela é só uma menina
E eu deixando que ela faça o que bem quiser de mim
Um dia ela chega e me diz que a avisaram pra não andar comigo porque eu era “estranha”.
Eu olho pra ela preocupada, temerosa que dessa vez sua doce inocência fosse maculada e ela me deixasse náufraga e solitária ansiando pela noite em seu olhar. Mas ela apenas ri e diz que se eu era estranha ela era mais.
Assim me escravizo nessa amizade sem nexo e sem esperança, afinal ela é só uma menina.
Menina que me enlouquece e me leva escrava dos seus caprichos.
Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal
A cada namoro rompido ela corre para mim, a cada rapaz que a magoa ela me procura para desabafar.
E depois parte.
Levando consigo seu largo sorriso e seu negro olhar. Levando consigo o meu sorriso e o meu sonhar.
Um dia ela olha nos meus olhos e diz que eu tenho os olhos azuis como o mar, eu sorrio e faço um verso:
Olhos do breu da noite nos olhos do azul do mar.
Perdida em sua noite passo meus dias as sonhar.
Novamente ela ri. E me dá um beijo.
Ela é só uma menina. E meninas brincam, não é?
Eu não devo me alterar, afinal lá está chegando o príncipe encantado da vez e ela correndo salta na garupa de sua moto e me acena um adeus.
Não pedi que ela ficasse
Ela sabe que na volta
Ainda vou estar aqui
Ela é só uma menina
E eu pagando pelos erros
Que eu nem sei se cometi
Mais uma vez ela volta, agora com sua noite tempestuosa e seu rosto borrado de lágrimas.
Eu a consolo, afinal ela é só uma menina, chorando em meu colo, me fazendo enlouquecer.
Eu a beijo, ela corresponde.
Paro e pergunto se é isso mesmo que ela quer. Afinal ela é só uma menina.
Seus rubros lábios buscam os meus, num beijo como nunca recebi.
Aquela menina já não é mais criança, já é quase uma mulher.
E juntas nos tornamos mulheres. Nos descobrimos em carinhos e delicias.
Vivemos de música e poesia. Sonhos e fantasias.
Com ela é fácil sorrir, é fácil sonhar, afinal ela é só uma menina.
E meninas são feitas de sonhos, amor e poesia.
A cada dia eu me embrenho mais em seu olhar.
Seus olhos do breu da noite tragando meus olhos do azul do mar.
Amor e poesia tomaram contas dos meus dias.
Até que um dia ela se vai.
Assim como chegou, sem avisar.
Deixando minhas noites sem luar.
Meus olhos de mar azul viram de maresia.
Maré cheia de dor e de saudade.
Por que me deixei escravizar?
Eu sabia que ela era só uma menina.
Sabia que não ia durar.
Será que alguém pode enlouquecer de saudade?
Mas ela é só uma menina, eu não posso me queixar.
Se eu queria enlouquecer essa é a minha chance
É tudo que eu quis
Se eu queria enlouquecer
Esse é o romance ideal

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Bella Tocchio nasceu em São Paulo nos anos dourados e cresceu achando que sabia das coisas. Descobriu que não sabe nada! É casada e tem 3 filhos. Dona de casa e feminista. Cristã e LGBT. Adora companhia, mas ama a solidão. Que bom que é geminiana!

Uma das melhores maneiras de homenagear a mulher é ceder-lhe espaço para que tenha voz. Homenagem do #acervolivre a todas as mulheres que vivem batalhas diárias e iluminam o mundo com seu brilho.