florescer

por Marcia Dantas*

Sua vida era um campo árido,
um deserto sem o oásis.

Não havia flores,
não havia vida.
Apenas a tristeza do vazio.

Você estava presa dentro de si mesma.
Sufocada em uma casca apertada,
buscando ar.
Buscando alívio.

Então a luz entrou e a resgatou.
Trouxe vida.
Trouxe ar.
Trouxe alívio.

Você olhou ao redor,
viu o florescer.

Seus olhos se encheram de vida,
a vida que emanava de seu interior.
Era você que se libertava.

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*Marcia Dantas se orgulha de ser professora de História e escritora, duas áreas que a completam, realizam, desafiam e a fazem militar constantemente. Paulista de coração, não se vê morando em outro lugar, embora precise de um férias da metrópole no momento. Lançou há pouco o seu primeiro livro, Reescrevendo Sonhos, além de estar em vários outros projetos literários. Marcia escreve quinzenalmente aos sábados.

do silêncio a distância

por Marcia Dantas*

Foi o medo que me calou.
E meus lábios ficaram selados
como se pudessem silenciar para sempre.

Mas, no meu silêncio,
se fez a tristeza.
E, da tristeza,
a distância se impôs.

Mesmo que eu não dissesse,
lá estava você,
cada vez mais longe.

E senti o inverno,
que ocupava seu lugar.
Que trazia o frio,
que apagava nossa chama.

Antes que eu percebesse,
perdi as palavras.
E, mesmo que as tivesse,
você estava longe demais para ouvi-las.

Meu medo tudo paralisou,
e te afastou.
Nada pude fazer,
só calar de vez.

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*Marcia Dantas se orgulha de ser professora de História e escritora, duas áreas que a completam, realizam, desafiam e a fazem militar constantemente. Paulista de coração, não se vê morando em outro lugar, embora precise de um férias da metrópole no momento. Lançou há pouco o seu primeiro livro, Reescrevendo Sonhos, além de estar em vários outros projetos literários. Marcia escreve quinzenalmente aos sábados.

levanta e luta

por Marcia Dantas*

Levanta e luta!

Balança suas correntes,
sente o peso delas.

Elas machucam seus pulsos,
forçam sua circulação,
impedem seu movimento.

Consegue vê-las?
Consegue conviver com elas?
Ou prefere lutar para quebrá-las?

Ouve o clamor do povo!

Todos estão abrindo os olhos,
sentindo o peso,
desejando liberdade.

Você calará a sua voz?

Precisamos nos unir,
juntar nossas vozes,
quebrar nossas correntes.

Só a união fortalece a luta.

Então levanta e luta!

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*Marcia Dantas se orgulha de ser professora de História e escritora, duas áreas que a completam, realizam, desafiam e a fazem militar constantemente. Paulista de coração, não se vê morando em outro lugar, embora precise de um férias da metrópole no momento. Lançou há pouco o seu primeiro livro, Reescrevendo Sonhos, além de estar em vários outros projetos literários. Marcia escreve quinzenalmente aos sábados.

foge comigo

por Marcia Dantas

Foge comigo.

Toma a minha mão,
vamos correr de tudo.

Esquece o mundo,
as dores,
os dissabores.

Vamos começar tudo de novo.

Ao seu lado aprendi
que podemos fazer diferente.

Podemos esquecer o passado,
fazer nosso futuro
e andar em direção à felicidade.

Quero você ao meu lado.

Não há outra que me inspire,
além de você.

Que me faça desejar
um novo caminhar,
um novo amanhecer.

Foge comigo.

liberdade

por Marcia Dantas

Eu queria a liberdade.

Queria poder estender meus dedos e tocá-la. Sentir a textura, o calor com as minhas mãos. Saber que ela existe, é real. Que não é uma ilusão a ser perseguida, sem nenhuma chance de sucesso.

Quero poder conhecê-la.

Nunca fui apresentada à liberdade. Ouvi histórias sobre sua existências e como ela muda a vida das pessoas, deixando que elas sejam apenas a essência de si mesmas. Sem julgamentos, sem estigmas ou amarras externas. Mas nunca a conheci nem vivi seus efeitos.

Queria poder entender o que é tê-la ao meu lado.

Então fecho meus olhos e imagino que ela está bem aqui ao meu lado. Que ela aperta meus dedos e me guia por estradas que nunca pisei. Que ela me ensina lições que sozinha não posso aprender. Que me mostre os horizontes que nunca ninguém me disse que existiam. Sorrio imaginando que é possível. Levanto meus pés, começo a caminhar, e entendo que o desafio de buscá-la talvez não esteja assim tão distante.

Pode ser que ela seja real de alguma forma.

reencontro

por Marcia Dantas

Esfreguei minhas mãos uma na outra, concentrando-me no calor emitido pela fricção. Meus dedos estavam gelados, combinando com o frio que corria pela minha espinha e congelava meu estômago. Não sabia bem o motivo, mas tinha medo.

Andava de um lado para o outro e sentia que, a qualquer momento, poderia fazer um buraco no chão. Vários pensamentos cruzavam a minha mente e eu temia que, quando estivéssemos cara a cara mais uma vez, acabássemos percebendo que tudo entre nós estava diferente.

Fazia três anos que ela tinha partido.

Nunca deixamos de nos falar em todo tempo, muito menos em assegurar que o que havia entre nós não mudaria um milímetro sequer. Mas como saber? Ela certamente voltava diferente de como tinha partido. Eu também não era mais a mesma.

Olhei o relógio mais uma vez. Estava na hora.

Respirei fundo e segui as pessoas que iam para a área de desembarque. Aos poucos o medo foi substituído pela ansiedade. Procurei no meio da multidão de pessoas que saíam com suas malas por aquele rosto que me era tão familiar. Mordi os lábios com a frustração de não achá-la.

De repente achei o sorriso dela, e então todos desapareceram para mim.

Quando me dei conta, já estávamos abraçadas. Quando percebi, meus olhos já estavam molhados. Antes que eu pudesse me achar em meio à emoção, nossos lábios se uniram, e aquela familiaridade aqueceu meu coração. Ela estava de volta, finalmente, e eu já não me importava com o que aconteceria. Só queria saber que ela estava ao meu lado novamente.

não estamos sozinhas

por Marcia Dantas

Pegue minha mão. Você não está sozinha.

Sei que o mundo quer nos separar. Quer fazer com que a gente se odeie e se isole, assim não poderemos lutar juntas. Mas quero que esqueça isso, e convido você a fazer o mesmo. Estamos juntas, temos as mesmas dores, os mesmos medos. Podemos ser mais fortes lado a lado.

Demorei a aprender que você poderia ser minha companheira de luta.

Não entendia porque tínhamos que estar em lados opostos, mas eu a afastava de mim do mesmo jeito. Algo dentro de mim dizia que aquilo não era necessário, que havia mais coisas além da barreira que crescia e nos separava.

Agora podemos nos unir.

Então pegue minha mão. Você não está sozinha. Estou aqui, e há outras que entendem tudo o que passamos. Vamos juntar nossos esforços. Vamos lutar.