reencontro

por Marcia Dantas

Esfreguei minhas mãos uma na outra, concentrando-me no calor emitido pela fricção. Meus dedos estavam gelados, combinando com o frio que corria pela minha espinha e congelava meu estômago. Não sabia bem o motivo, mas tinha medo.

Andava de um lado para o outro e sentia que, a qualquer momento, poderia fazer um buraco no chão. Vários pensamentos cruzavam a minha mente e eu temia que, quando estivéssemos cara a cara mais uma vez, acabássemos percebendo que tudo entre nós estava diferente.

Fazia três anos que ela tinha partido.

Nunca deixamos de nos falar em todo tempo, muito menos em assegurar que o que havia entre nós não mudaria um milímetro sequer. Mas como saber? Ela certamente voltava diferente de como tinha partido. Eu também não era mais a mesma.

Olhei o relógio mais uma vez. Estava na hora.

Respirei fundo e segui as pessoas que iam para a área de desembarque. Aos poucos o medo foi substituído pela ansiedade. Procurei no meio da multidão de pessoas que saíam com suas malas por aquele rosto que me era tão familiar. Mordi os lábios com a frustração de não achá-la.

De repente achei o sorriso dela, e então todos desapareceram para mim.

Quando me dei conta, já estávamos abraçadas. Quando percebi, meus olhos já estavam molhados. Antes que eu pudesse me achar em meio à emoção, nossos lábios se uniram, e aquela familiaridade aqueceu meu coração. Ela estava de volta, finalmente, e eu já não me importava com o que aconteceria. Só queria saber que ela estava ao meu lado novamente.

apenas no silêncio

por Marcia Dantas

Eu não me arrependia de deixar meu coração bater mais forte por causa do sorriso dela.

Houve um tempo em que eu me negava em acreditar nos sinais claros do meu coração. Disfarçava, olhava para o outro lado e emudecia aquela voz. Desviava do que estava ali diante de mim. Era medo de perdê-la? Covardia? Nunca soube para falar a verdade.
Mas hoje já não nego mais.

Não me escondia dos momentos em que ela colocava um sorriso nos meus lábios quando aparecia, tornando tudo mais brilhante. Também não disfarçava o brilho em meus olhos que ela fazia surgir ou mesmo o modo com que tudo desaparecia quando ela estava tão próxima de mim.

O controle era uma ilusão da qual me livrei quando percebi que estava apaixonada.

Já não vivo nesse mundo colorido, onde todas as coisas parecem como nos filmes, feitas para dar certo, não importando as barreiras. A vida real é diferente e mostrou sua dureza. Era algo sobre a verdade que fazia sombra sobre os meus sentimentos: jamais seria correspondida por ela.

Nossas formas de amar são diferentes e, por mais que ela entenda como funciona meu coração, jamais poderá sentir do mesmo jeito.

Sei que posso apenas caminhar ao lado dela, sem nunca segurar sua mão. Mesmo assim, não posso deixar de amar assim, ou parar meu coração de bater por ela. Nem sei se quero, afinal, nada é tão ruim que possa se comparar ao que a ausência dela me fará.
Então sigo amando, ainda que apenas no silêncio.