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por Gabriel Fogal

Você me deu
Seus olhos
Todas aquelas histórias
E algumas mentiras
Ninguém estava lá
Enquanto eu
Me afogava no mar

Com o outono
Vem a primeira culpa
Da infância retalhada
Do adulto culpado
Na flama o poeta
Se força a esquecer
O tempo entre os tempos

Procuramos nos divertir
Na terra prometida
E quando as promessas
Acabaram
Sobrou apenas
Os infinitos entre os abismos
De sentir

sobre o tempo

por Gabriel Fogal

Já perdemos o tempo de vista
O sol nasceu e
Não deixamos essa cidade
Tive medo de olha para trás
Uma última vez
Mas incrível como
Meus pés estão leves e
Descalços de qualquer preocupação
Não saberemos se as decisões
Foram escolhidas porventura
Mas lembro bem
meu irmão disse uma vez
Basta estar em casa
Para se sentir amado
Talvez seja culpa do acaso
E seremos aventureiros
Pelo resto dos anos
Não quero saber
Não importa
O tempo foi lento
Mas
já perdemos ele de vista
E não deixamos essa cidade