o privilégio humano de ensinar

por Marcia Dantas

O giz, a lousa, as palavras: o universo que se abre diante dos olhos daqueles que tem os olhos que pedem pelo conhecimento.

Eu já estive na posição de aprendizado por muitas vezes e sei o que é encontrar um horizonte pelas palavras de sabedoria de alguém cujos passos estavam mais avançados que os meus. Estava perdida em meio a tantas bifurcações e possibilidades, e acabei por receber a orientação de tantas mentes que me indicaram aquelas que talvez fossem as mais indicadas. Até que aprendi a trilhar minhas próprias jornadas.

Meus caminhos foram pavimentados por giz e sabedoria e fui guiada para estar atrás de uma mesa e ao lado de outros que estavam apenas começando suas histórias. E aprecio ter chegado até aqui, para estar ao lado desses jovens que me ensinam e inspiram.

Não quero criar mentes à minha imagem e semelhança, afinal não fui isso que aprendi quando era apenas alguém sem consciência de tudo que viria à minha frente. Quero apenas ver as próximas gerações indo ao encontro do conhecimento e da formação da própria opinião, assim como meus mestres fizeram comigo. Não há nada como aprender a pensar por si só.

O ensino não é uma ciência exata, com erros e acertos muito bem delimitados e precisos. É um ato humano, algo que nos diferencia das demais espécies, pois envolve transmitir não só nosso conhecimento, como um pedaço de nós. Cada vez que abro minha boca, deixo que meus alunos fiquem com um pedaço de mim, o qual eles carregarão e passarão para outras gerações.

Não quero abandonar o privilégio de ensinar ou mostrar aos outros como pensar e trilhar os próprios passos. É um dom que recebi e que me guia todos os dias.