liberdade

por Marcia Dantas

Eu queria a liberdade.

Queria poder estender meus dedos e tocá-la. Sentir a textura, o calor com as minhas mãos. Saber que ela existe, é real. Que não é uma ilusão a ser perseguida, sem nenhuma chance de sucesso.

Quero poder conhecê-la.

Nunca fui apresentada à liberdade. Ouvi histórias sobre sua existências e como ela muda a vida das pessoas, deixando que elas sejam apenas a essência de si mesmas. Sem julgamentos, sem estigmas ou amarras externas. Mas nunca a conheci nem vivi seus efeitos.

Queria poder entender o que é tê-la ao meu lado.

Então fecho meus olhos e imagino que ela está bem aqui ao meu lado. Que ela aperta meus dedos e me guia por estradas que nunca pisei. Que ela me ensina lições que sozinha não posso aprender. Que me mostre os horizontes que nunca ninguém me disse que existiam. Sorrio imaginando que é possível. Levanto meus pés, começo a caminhar, e entendo que o desafio de buscá-la talvez não esteja assim tão distante.

Pode ser que ela seja real de alguma forma.

não estamos sozinhas

por Marcia Dantas

Pegue minha mão. Você não está sozinha.

Sei que o mundo quer nos separar. Quer fazer com que a gente se odeie e se isole, assim não poderemos lutar juntas. Mas quero que esqueça isso, e convido você a fazer o mesmo. Estamos juntas, temos as mesmas dores, os mesmos medos. Podemos ser mais fortes lado a lado.

Demorei a aprender que você poderia ser minha companheira de luta.

Não entendia porque tínhamos que estar em lados opostos, mas eu a afastava de mim do mesmo jeito. Algo dentro de mim dizia que aquilo não era necessário, que havia mais coisas além da barreira que crescia e nos separava.

Agora podemos nos unir.

Então pegue minha mão. Você não está sozinha. Estou aqui, e há outras que entendem tudo o que passamos. Vamos juntar nossos esforços. Vamos lutar.